sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Chance de refazer planos

A derrota para o Cametá anteontem à noite na Curuzu, apesar de desastrosa para as pretensões do Papão no primeiro turno, deve ser encarada com o devido pragmatismo. As vaias irritadas do torcedor não desviar a atenção de quem comanda a gestão do futebol. Perder no começo do Parazão funciona como um poderoso alerta para os dirigentes quanto ao planejamento para as competições mais lucrativas e importantes da temporada.
É notório que o certamente estadual está longe de ser prioridade máxima para os bicolores. Se alguém perguntar, todos no clube irão dizer que querem o título, claro, mas o fato é que ninguém vai quebrar estacas por isso. Por ordem de importância, o Parazão vem depois do Campeonato Brasileiro da Série B e da Copa Verde, que garantem visibilidade e acesso a competições de alto nível.
Por tudo isso, agiu bem o presidente Alberto Maia ao avalizar publicamente o trabalho do técnico Sidney Moraes, que saiu da Curuzu ouvindo os gritos da torcida por Mazola Jr., seu antecessor. O futebol costuma ter pressa, principalmente quando há uma torcida grande e exigente por trás.
Aos gestores cabe transmitir serenidade e profissionalismo nas escolhas, sem se deixar impressionar pela gritaria que vem das arquibancadas. No final de dezembro, quando se interromperam as negociações para a permanência de Mazola, o Papão foi atrás de Sidney Moraes, profissional jovem e bem referendado no mercado. Encaixa-se bem no perfil que o clube idealiza para a temporada.
Seria inadequado julgar o trabalho de Moraes depois de cinco partidas, apesar do aproveitamento negativo. Com 19 novos contratados, o elenco é forte e suficiente para as competições iniciais da temporada, mas o treinador ainda necessita de tempo para formatar um time competitivo.
O que se viu diante do Cametá foi uma equipe pressionada pelos tropeços em Santarém e Macapá. Preocupados em conquistar um bom resultado, os jogadores se mostraram afoitos demais nas finalizações. Até Pikachu, um bom finalizar, não conseguiu acertar o pé. Rogerinho perdeu duas oportunidades claras e Bruno Veiga também se precipitou na melhor chance que teve.
As carências criativas voltaram a aparecer, principalmente depois que o Cametá estabeleceu a vantagem. A falta de solidez tática trouxe intranquilidade que as habilidades individuais não conseguiram anular.
Como o meio-campo tem dificuldades para se arrumar, defesa e ataque sofrem as consequências. Lá atrás, o lance do gol evidenciou isso. Os zagueiros foram traídos pela bola jogada no segundo pau e desviada para o meio da área. A desarrumação foi completa. Muito mal marcado por Marlon, Vânderson teve espaço para girar e bateu colocado no canto esquerdo.
Já os homens de frente sofrem de solidão, que é o mal do século e um dos mais letais para o sucesso de atacantes. Bruno Veiga voltava muito para buscar jogo e Pikachu só conseguiu aparecer quando caía pela direita, tendo Djalma como escolta. Insuficiente para um time que precisará de um ataque forte e produtivo.  
Diante de tudo isso, o mau resultado oferece ao Papão e seus gestores a chance de refazer planos, ainda a tempo de encontrar o rumo certo. Sem precipitações.  
**Fonte Portal DOL

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